EN1 em Maputo: ANE rejeita pagamento duplicado por reparações

EN1 em Maputo: ANE rejeita pagamento duplicado por reparações
A reaparição de buracos em segmentos recentemente intervencionados da Estrada Nacional Número Um, na zona metropolitana de Maputo, voltou a chamar atenção para a durabilidade das obras rodoviárias e para os custos de manutenção das principais vias do país. Perante a preocupação dos utentes, a Administração Nacional de Estradas assegura que o Estado não será obrigado a pagar novamente pela mesma intervenção.
Segundo a ANE, as correcções necessárias estão abrangidas pelo contrato em vigor com o empreiteiro responsável pelos trabalhos. A entidade entende, por isso, que o tapamento dos buracos identificados deve ser realizado como parte das obrigações contratuais, sem a abertura de uma nova despesa pública para reparar os mesmos pontos.
Água é apontada como principal factor
Os problemas registados com maior visibilidade nas zonas de Mahulane e da Paragem da Total, em Zimpeto, estão associados à acumulação de água sobre e junto ao pavimento. A administração rodoviária explica que a presença prolongada de água reduz a resistência do piso betuminoso e acelera a sua deterioração, sobretudo quando existe circulação intensa de veículos.
O cenário é agravado por descargas provenientes de bacias e quintais alagados, que acabam por encaminhar água para a estrada. Esta situação torna a reparação mais complexa, uma vez que o simples preenchimento dos buracos pode não resolver a origem do problema enquanto a humidade continuar concentrada na via.
A ANE indica que o empreiteiro deverá retomar os trabalhos de correcção depois de a água acumulada secar completamente. A medida pretende criar condições mais adequadas para a aplicação dos materiais e reduzir o risco de uma nova degradação imediata do pavimento.
Ocupação da zona de protecção
Além das intervenções de emergência, as autoridades estão a analisar outros factores que afectam a segurança e a conservação da EN1. A ANE tem identificado construções e outras infra-estruturas localizadas na zona de protecção parcial da estrada, numa área onde a ocupação desordenada pode dificultar a drenagem, a circulação e futuras obras de expansão.
O processo está a ser estudado em coordenação com o município. Entre os aspectos em avaliação encontra-se a forma de tratar eventuais indemnizações às pessoas afectadas por intervenções que possam ser necessárias ao longo da faixa de domínio rodoviário.
Requalificação mais ampla entre Benfica e Zimpeto
As reparações pontuais fazem parte de um quadro mais amplo de intervenção na EN1 em Maputo. O plano anunciado para o troço entre Benfica e Zimpeto prevê uma requalificação profunda de aproximadamente 6,7 quilómetros, com a criação de novas vias destinadas a melhorar o fluxo de trânsito.
A mobilização do projecto e o início dos trabalhos no terreno deverão seguir o calendário previamente indicado pelas autoridades, com uma duração estimada de cerca de dois anos. A execução será acompanhada com atenção pelos automobilistas e pelas comunidades próximas, já que a estrada é uma das principais ligações entre diferentes zonas da área metropolitana.
Enquanto a intervenção estrutural não avança, a manutenção dos pontos degradados continua a ser essencial. Para os utentes, a expectativa é que as correcções previstas sejam feitas com qualidade e que a gestão da água passe a ocupar um lugar central na preservação da estrada.




