ESTILO DE VIDA

Porque é que subir escadas em vez do elevador faz bem ao cérebro

Subir escadas em vez de usar o elevador pode parecer um gesto trivial do dia a dia, mas a ciência tem vindo a mostrar que este simples hábito traz benefícios surpreendentes tanto para o corpo como para o cérebro. Não é preciso bater recordes, correr em torres de arranha-céus ou repetir a proeza do britânico Sean Greasley, que em 2021 subiu e desceu escadas até perfazer a altura do monte Everest em menos de 23 horas — bastam alguns lances de escada por dia para sentir os efeitos.

Um exercício acessível a quase todos

Segundo Alexis Marcotte-Chenard, investigador em saúde cardíaca, pulmonar e vascular na Universidade da Colúmbia Britânica, no Canadá, subir escadas é um dos exercícios mais simples e acessíveis que existem, porque pode ser feito em qualquer lugar e a qualquer momento, sem equipamento nem custos. Faz parte do que os investigadores chamam de exercise snacks — pequenos períodos de atividade física vigorosa, de um minuto ou menos, repetidos ao longo do dia. Subir escadas aumenta os batimentos cardíacos e o consumo de oxigénio mais do que caminhar rapidamente, precisamente porque exige mais esforço para vencer a gravidade, o que fortalece os músculos das coxas e melhora a saúde cardiovascular.

Melhorias na memória, concentração e criatividade

Além dos benefícios físicos, vários estudos associam subir escadas a ganhos cognitivos surpreendentes. Um estudo sueco liderado por Andreas Stenling, da Universidade de Umeå, concluiu que subir escadas aumenta significativamente a flexibilidade mental dos participantes, ao mesmo tempo que os deixa mais felizes e com mais energia. Investigadores da Universidade de Yamaguchi, no Japão, verificaram ainda que quem sobe dois lances de escada mostra maior concentração na resolução de problemas do que quem usa o elevador, e que a atividade aumenta o pensamento criativo, gerando 61% mais ideias originais. Pesquisas mais recentes sugerem mesmo que os efeitos na memória podem prolongar-se até ao dia seguinte, sobretudo quando associados a uma boa noite de sono.

Não é preciso bater recordes

Estudos indicam que subir mais de cinco lances de escada — o equivalente a cerca de 50 degraus — já está associado a um menor risco de doenças cardiovasculares. Para quem passa longos períodos sentado no trabalho, repetir pequenas subidas ao longo do dia pode ser preferível a uma única sessão intensa: numa experiência com funcionários de escritório, 71% preferiram subir e descer escadas em várias sessões curtas do que fazer o mesmo esforço de uma só vez. Nem toda a gente pode ou deve optar pelas escadas — pessoas com osteoartrite no joelho, por exemplo, podem sentir dificuldades — mas para quem consegue, trocar o elevador pelos degraus continua a ser uma das formas mais simples de cuidar do corpo e da mente.

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