ESTILO DE VIDA

O que a velocidade do andar revela sobre a saúde física e mental

A velocidade com que caminhamos do sofá até à cozinha, ou até à paragem de autocarro, pode parecer um detalhe insignificante do dia a dia. Mas a investigação científica mostra que este simples gesto revela informações profundas sobre o estado do corpo e do cérebro, podendo até prever o risco de hospitalização, de um ataque cardíaco ou de morte prematura.

Um teste simples para medir o envelhecimento

A velocidade dos passos é usada pelos investigadores como indicador da capacidade funcional de uma pessoa — ou seja, da sua aptidão para realizar tarefas do dia a dia e manter a independência. O teste pode ser feito com um cronómetro e uma fita métrica: basta medir uma distância fixa, como dez metros, precedidos de uma pequena distância de aceleração, e dividir a distância pelo tempo gasto para a percorrer. Segundo a professora de medicina Christina Dieli-Conwright, da Faculdade de Medicina de Harvard, uma redução acentuada e não explicada da velocidade habitual de uma pessoa “está muitas vezes associada à deterioração da sua saúde em geral”.

Passos lentos, maior risco cardiovascular

Uma revisão de nove estudos, feita por investigadores da Universidade de Pittsburgh e envolvendo mais de 34 mil adultos com 65 anos ou mais, encontrou uma associação significativa entre a velocidade dos passos e a esperança de vida: homens de 75 anos que caminhavam mais devagar tinham apenas 19% de probabilidade de viver mais dez anos, contra 87% entre os que caminhavam mais rápido. Um estudo francês de 2009 concluiu ainda que adultos saudáveis com mais de 65 anos que andavam devagar tinham cerca de três vezes mais probabilidade de morrer de doenças cardiovasculares do que os que andavam com mais rapidez.

O efeito começa muito antes da velhice

A investigadora Line Rasmussen, da Universidade Duke, nos Estados Unidos, e os seus colegas descobriram que o fenómeno não se limita aos idosos. Ao analisar 904 pessoas com 45 anos, no âmbito do Estudo de Dunedin, na Nova Zelândia, verificaram que quem caminhava mais devagar apresentava sinais de “envelhecimento acelerado”: pulmões, dentes e sistema imunitário mais fracos, pressão arterial mais alta e piores resultados em testes cognitivos de memória, raciocínio e velocidade de processamento. Exames por ressonância magnética mostraram ainda cérebros mais pequenos e um córtex mais fino nos participantes mais lentos — e os investigadores conseguiram mesmo prever a velocidade de marcha aos 45 anos a partir de testes cognitivos feitos quando os participantes tinham apenas três anos de idade.

Como acelerar o passo no dia a dia

A boa notícia é que a velocidade de marcha pode ser melhorada com hábitos simples. Dieli-Conwright aconselha a aumentar gradualmente a duração e a intensidade das caminhadas a cada três ou quatro semanas, e sugere pequenas mudanças de rotina, como estacionar mais longe do destino, caminhar com amigos ou levar o cão a passear. “É importante reservar intervalos para caminhar, especialmente para quem trabalha de forma mais sedentária”, destaca a investigadora — mesmo que sejam apenas cinco minutos de cada vez.

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