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EUA voltam a discutir sanções contra o ministro brasileiro Alexandre de Moraes

O jornal britânico Financial Times noticiou que o governo dos Estados Unidos está a discutir a possibilidade de impor novas sanções ao ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) do Brasil, Alexandre de Moraes, num momento de forte tensão diplomática entre Washington e Brasília, avança a BBC News Brasil.

Segunda vez em foco desde o ano passado

Moraes já tinha sido alvo de sanções norte-americanas em julho do ano passado, ao abrigo da Lei Magnitsky — a primeira vez que uma autoridade brasileira era sujeita a este tipo de medida, usada por Washington contra estrangeiros acusados de violações graves de direitos humanos ou de corrupção. A sanção, que restringia as movimentações financeiras do ministro e da mulher, Viviane Barci de Moraes, foi aplicada num contexto de críticas da administração Trump ao julgamento do ex-presidente Jair Bolsonaro por tentativa de golpe de Estado. Em dezembro, após uma aproximação diplomática entre Donald Trump e o presidente brasileiro Luíz Inácio Lula da Silva, o casal foi retirado da lista de sancionados.

Caso ligado à liberdade de imprensa reabre discussão

Segundo o Financial Times, o novo interesse de Washington no caso de Moraes está relacionado com decisões judiciais recentes que reabriram o debate sobre a liberdade de imprensa no Brasil, nomeadamente uma operação de busca e apreensão autorizada pelo ministro contra um ex-funcionário do governo do Maranhão apontado como fonte de um jornalista. Organizações como a ARTICLE 19, a Repórteres Sem Fronteiras e a Sociedade Interamericana de Imprensa criticaram a medida, alertando para riscos à protecção de fontes jornalísticas.

Uma fonte próxima do governo Trump citada pelo Financial Times acusou Moraes de ter visado apoiantes do antigo presidente norte-americano. O jornal britânico sublinha que não é claro se, ou quando, uma decisão sobre novas sanções será tomada, numa altura em que as relações entre os dois países já estão fragilizadas por tarifas anunciadas por Washington contra produtos brasileiros.

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