Israel abre investigação criminal sobre a morte de menina palestiniana de 5 anos em Gaza
As Forças de Defesa de Israel (IDF) anunciaram, de forma pouco habitual, a abertura de uma investigação criminal sobre a morte da menina palestiniana Hind Rajab, de cinco anos, e de outros civis mortos em Gaza no início de 2024. O caso tornou-se um dos mais mediáticos do conflito depois de uma gravação da chamada de socorro da criança ter circulado amplamente nas redes sociais e na imprensa internacional.
Uma chamada de socorro que durou horas
Hind Rajab ficou presa num carro na Cidade de Gaza, rodeada de familiares mortos, depois de o veículo em que a família tentava fugir ter sido atingido por disparos. Durante horas, a menina manteve contacto telefónico com operadores do Crescente Vermelho Palestiniano, pedindo ajuda enquanto aguardava o resgate. Uma ambulância enviada para a socorrer foi também atingida, matando os dois paramédicos a bordo. Hind foi encontrada morta dias depois, juntamente com vários membros da família.
Investigação também sobre a morte de 15 palestinianos
Paralelamente, o exército israelita confirmou que está também a investigar a morte de 15 socorristas palestinianos — entre paramédicos do Crescente Vermelho, membros da Defesa Civil e um funcionário das Nações Unidas — cujos corpos foram encontrados numa vala comum em Rafah, no sul de Gaza, em março de 2024. Vídeos recuperados dos telemóveis das vítimas mostraram os veículos de socorro, identificáveis e com luzes de emergência ligadas, a serem alvejados.
Organizações de direitos humanos mostram-se reservadas
Organizações de direitos humanos e agências humanitárias acolheram a decisão com reservas, recordando que investigações anteriores do exército israelita sobre incidentes semelhantes raramente resultaram em responsabilização pública. Israel argumenta que as suas forças operam num ambiente urbano complexo, onde o Hamas usa civis e infraestruturas civis como escudo, e que cada caso é analisado de acordo com o direito internacional. Os resultados da investigação sobre a morte de Hind Rajab e dos socorristas ainda não têm data prevista para serem divulgados.



