CULTURA & ARTE

Novo romance de Miguel Luís leva o drama da mineração em Manica à literatura moçambicana

O escritor e advogado moçambicano Miguel Luís apresentou, em Agosto, o seu mais recente romance, “A Terra Ainda Está Zangada”, uma obra que expõe as feridas abertas pela exploração mineira em Manica através dos olhos de um adolescente.

Um adolescente entre o luto e a resistência

A história segue Francisco, um jovem cujo sonho de continuar os estudos é posto em causa depois de o pai desaparecer num desabamento numa mina. Ao lado do amigo Eurico, Francisco descobre que uma empresa mineira pretende apoderar-se das terras e dos recursos da comunidade — um enredo que espelha conflitos reais vividos por várias comunidades moçambicanas junto a projectos de exploração mineira.

Uma escrita nascida da observação do país

Miguel Luís, natural de Maputo e actualmente radicado em Portugal, começou a escrever o livro entre 2018 e 2019, a partir de reflexões sobre as transformações e as dores que atravessam Moçambique. O autor já tinha estreado na ficção infanto-juvenil com “O Desamparo das Flores” (2023), obra finalista do Prémio Nacional de Literatura Infanto-Juvenil em 2024.

“A Terra Ainda Está Zangada” foi apresentado na Livraria Fundza, na Beira, arrancando ali um roteiro de apresentações que deverá levar o livro a outros pontos do país nos próximos meses. Ao dar voz a temas como a ganancia, a injustiça e a resistência comunitária, o romance junta-se a uma geração de autores moçambicanos que usam a literatura para discutir, sem filtros, o impacto da indústria extractiva nas populações locais.

Artigos Relacionados

Deixe um comentário

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *

Botão Voltar ao Topo