Moçambique: como criar uma cultura de integridade contra a corrupção

Moçambique: como criar uma cultura de integridade contra a corrupção
O combate à corrupção em Moçambique voltou a ser colocado no centro do debate público, com um antigo Presidente da República a defender que o país precisa de construir uma verdadeira cultura de integridade. A proposta vai além da punição de casos individuais e aponta para uma mudança de comportamentos, valores e práticas em toda a sociedade.
A mensagem surge num momento em que a transparência, a responsabilidade na gestão dos recursos públicos e a confiança nas instituições continuam a ser assuntos relevantes para cidadãos, empresas e organizações da sociedade civil. Para que os esforços anticorrupção produzam resultados duradouros, a prevenção deve acompanhar a investigação e a responsabilização.
Mais do que leis, uma mudança de comportamento
Uma cultura de não tolerância à corrupção começa nas decisões do dia a dia. Isso inclui rejeitar pagamentos indevidos, denunciar irregularidades pelos canais adequados e exigir explicações claras sobre a utilização do dinheiro público. Também envolve garantir que os serviços do Estado sejam prestados com critérios transparentes, sem favorecimentos ou barreiras informais.
O apelo atribuído ao antigo chefe de Estado coloca igualmente em destaque o papel da educação. Escolas, universidades, famílias e instituições públicas podem contribuir para formar cidadãos conscientes de que a integridade não é apenas uma exigência legal, mas um princípio essencial para o desenvolvimento nacional.
O combate à corrupção torna-se mais eficaz quando a honestidade é valorizada pela sociedade e a impunidade deixa de ser encarada como normal.
Instituições fortes e participação dos cidadãos
A criação dessa cultura depende também de instituições com autonomia, recursos e capacidade para actuar de forma previsível. Órgãos de fiscalização, tribunais, entidades de contratação pública e mecanismos de auditoria precisam de funcionar com independência e prestar contas à sociedade.
Ao mesmo tempo, os cidadãos devem ter acesso a informação compreensível sobre orçamentos, projectos públicos e contratos. A transparência permite acompanhar resultados, identificar riscos e participar de forma mais informada na vida pública. Quando os dados são acessíveis, jornalistas, investigadores e organizações sociais podem contribuir para detectar problemas antes que estes se agravem.
Impacto na economia e nos serviços públicos
A corrupção não afecta apenas a política. Pode aumentar os custos para as empresas, distorcer a concorrência e reduzir a qualidade de obras, escolas, hospitais e outros serviços essenciais. Recursos desviados ou utilizados sem critérios representam oportunidades perdidas para o crescimento económico e para a melhoria das condições de vida.
Por isso, uma estratégia de integridade também interessa ao sector privado. Empresas que adoptam regras claras, controlos internos e códigos de conduta ajudam a criar um ambiente de negócios mais previsível. A cooperação entre Estado, empresas e sociedade civil pode fortalecer mecanismos de prevenção e reduzir espaços para práticas irregulares.
O debate lançado pelo antigo Presidente recorda que o combate à corrupção não depende de uma única instituição. Exige continuidade, participação pública e coerência entre o discurso e a prática. Em Moçambique, transformar a integridade num valor colectivo poderá ser decisivo para reforçar a confiança nas instituições e tornar o desenvolvimento mais inclusivo.




